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A fofoca na literatura

Há algum tempo, a expressão "fofoca edificante" viralizou na internet depois que a esposa do ator Felipe Simas revelou que ele a impediu de contar uma história, já que, nas palavras dele, não seria edificante para nenhum dos dois.


Você com certeza já ouviu ou até reproduziu algo parecido, mas, afinal, a fofoca não importa mesmo nas nossas vidas e relacionamentos? O que os livros nos dizem sobre compartilhar supostos segredos com outras pessoas? Esse é o assunto do estudo de caso de hoje!


Como a fofoca edifica os livros?

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No TikTok, os influenciadores que falam sobre livros receberam mais visualizações depois que a Hashtag #FofocaLiterária viralizou no app. A Trend consiste em contar o plot de um livro como se a história tivesse acontecido com você. E quem é que não ama ouvir os dramas alheios? A maioria dos romances que lemos e até aquela aula de história do colégio são, na verdade, grandes fofocas, né?


Somos naturalmente curiosos, por isso saber sobre a vida de outras pessoas, ainda que fictícias, é tão interessante. Autores contemporâneos, como Sally Rooney e Taylor Jenkins Reid, exploram o cotidiano para construir personagens reais, cercados por dramas e atitudes questionáveis, e, com isso, nos vemos envolvidos por histórias aparentemente simples, mas cheias de nuances. Mas não são só os autores contemporâneos que conquistam fofoqueires! Machado de Assis e Jane Austen, grandes nomes dos clássicos nacionais e ingleses, respectivamente, também adoram contar uma boa fofoca em seus livros.


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Em "Pessoas Normais", Sally Rooney nos apresenta a história de dois jovens que, por causa das falhas de comunicação, têm um relacionamento turbulento. Normal, né? Na vida real, podemos facilmente ter o mesmo problema. E é esse outro motivo pelo qual o livro é tão comovente: conseguimos nos colocar no papel dos personagens. Já no caso da autora Taylor Jenkins Reid, poderíamos dizer que "Os Sete Maridos de Evelyn Hugo" é como uma verdadeira página de fofoca, isso porque, em algumas partes do livro, acompanhamos a vida da atriz Evelyn Hugo por meio de tabloides, como se estivéssemos vendo uma postagem sobre a última notícia de algum famoso, no Instagram, por exemplo.


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Indo para os clássicos, no aclamado "Dom Casmurro" de Machado De Assis, sabemos sobre uma possível traição por um personagem narrador não confiável que nos mantém presos até o final da trama para tentar entender não só o que aconteceu, mas também quem são aqueles personagens. Por fim, temos Jane Austen que não abre mão nem da fofoca nem dos personagens fofoqueiros em nenhum dos seus livros. Em "Orgulho e Preconceito", uma de suas maiores obras, a autora nos apresenta uma sociedade inglesa teatral, cheia de dilemas, romances proibidos e, principalmente, fofocas a respeito de tudo e de todos.


Fofoqueires do mundo, uni-vos!


É claro que falar mal das pessoas não é legal, mas a fofoca (saudável), no geral, nada mais é do que um meio de comunicação intrínseco ao comportamento humano. Precisamos dela para manter vínculos sociais e para compreender a nós mesmos e aos outros. O que acontece é que quem a censura também a pratica seja para obter informações, criar laços ou se entreter. Então, sim, fofocar edifica a vida, os relacionamentos e, consequentemente, as histórias que vivemos e contamos.


 

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