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A importância da diversidade na escrita

Atualizado: 13 de Nov de 2019


Quando falamos em questão de diversidade e representatividade nas mídias, é visível uma evolução nesse sentido nos últimos anos. Temos mais personagens de etnias, sexualidades, gêneros, entre outros, diferentes do “padrão” ocupando as telas dos filmes e das séries, e as páginas dos livros e histórias em quadrinhos. Contudo, essa representação ainda está longe de ser suficiente, ou de ser tão bem feita, tão verossimilhante, quanto poderia.


Escrever o diferente é difícil, não há como negar. Por exemplo, se a intenção do escritor for representar bem uma cidade que não seja a que ele habita, já é um desafio, demandando pesquisa e atenção se a intenção por parte do autor. Quando falamos de gente, então, é ainda mais complicado. Cada pessoa tem uma personalidade, cada grupo ou comunidade tem uma vivência única, e tentar representar essas questões sem tê-las vivido na pele é arriscado. Podemos cair em algum estereótipo, ofender um alguém ou vários alguéns.


É melhor, então, restringir-se ao conhecido? Manter-se no que é familiar, sem se arriscar a ofender alguém? Deixar às minorias que escrevam sobre si mesmas, uma vez que elas sabem do que estão falando, e quem não faz parte delas, não?


De jeito nenhum.


Ficar em sua zona de conforto na hora de escrever não ajuda a evoluir, e nesse caso não é diferente. É importante e necessário que a pluralidade que vemos no mundo esteja nas obras de ficção. O texto de um autor homem, branco, hétero e cisgênero deve conter tanta diversidade quanto o texto de uma mulher, latina, bissexual e transgênero. Não é uma representação feita da mesma maneira, e cuidados diferentes são requisitados para cada situação, mas o diferente deve estar ali.


Pois bem, estabelecido que se abster de incluir diversidade no que escrevemos não é uma opção, precisamos saber que tipos de precauções temos que tomar para fazer uma representação o mais verossímil e não ofensiva possível.


Entender nosso lugar de fala

A primeiríssima coisa quando nos propomos a escrever o que não conhecemos, é, justamente, identificar o que sabemos. Precisamos reconhecer que experiências tivemos, quais não tivemos e quais nem imaginávamos que poderiam fazer parte do cotidiano de alguém. Assim, podemos ter noção sobre o que temos propriedade para falar, pois já vivemos aquilo, e sobre o que temos de reconhecer ignorância e nos propor a entender sobre o assunto.


Esse tipo de auto-avaliação deve servir para preconceitos, também. Se, quando confrontados com o diferente, já temos uma imagem pronta, um conceito fechado, é necessário que verifiquemos se essa ideia é condizente com a realidade, se não é a reprodução de um estereótipo. E, se for, é hora de buscar informação para ir desconstruindo esse conceito solidificado em nosso imaginário.


Pesquisar, pesquisar e pesquisar mais um pouco

Encontrados nossos pontos falhos e nossos preconceitos, é o momento de ir atrás de informação. O que não falta na internet são blogs, grupos e canais no Youtube falando sobre todo tipo de assunto, desde a experiência de negritude de uma mulher de pele clara aos tipos de preconceitos que uma pessoa com deficiência sofre.


Nesse momento, é importante manter a humildade, afinal esse processo de pesquisa não acaba nunca. Não haverá uma hora em que saberemos de tudo, e estar revisitando conceitos a todo instante é de extrema importância. Vontade de aprender é fundamental. A Odisseia tem um post sobre personagens e estereótipos, já é um ponto para começar a aprender!


Conversar com alguém que tenha a vivência que você deseja representar

Na realidade, esse ponto pode ser antes ou depois da pesquisa. A questão é que, se feito antes, estamos expondo nossos primeiros pensamentos, preconceitos, para alguém que escuta esse tipo de ideia há tempos, e a resposta a isso nem sempre é a disposição a ensinar. E não há nada de errado nisso. Não é dever de uma mulher explicar por que o ato X é machista, afinal é difícil se manter didático depois de uma vida inteira escutando as mesmas falas ofensivas.


Assim, é interessante que já tenhamos conhecido outros pontos de vista, antes de procurar começar um diálogo. Um amigo, um familiar, alguém que esteja disposto a ler o personagem que você está construindo, a conversar sobre suas ideias. As críticas virão, e é imprescindível estar atento a elas.


Importante ressaltar que uma pessoa que faça parte de uma minoria, que tenha uma vivência diferente da nossa, sempre terá mais propriedade para falar dessa realidade, não importa quanta pesquisa façamos e o quão bem entendidos do assunto nos tornemos.


Quando se trata de narrativas muito pessoais e intrínsecas a um tipo específico de vivência, temos que saber que as vozes mais importantes são as de quem sabe, por experienciar no cotidiano, como é viver tal realidade.


No fim, nos propor a escrever com mais pluralidade é mexer com nossas próprias convicções. O que pensamos e no que acreditamos reflete e cria a base de nossa escrita, por isso é tão difícil escrever o que não nos é familiar, ou o que nos incomoda. Por outro lado, crescer como autores na nossa maneira de representar o diferente também significa crescer como pessoa, nos tornar mais empáticos, e essa não poderia ser uma recompensa melhor, não?



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